Ações de big techs despencam após vitória democrata
Ações de big techs sofreram quedas expressivas nesta quinta-feira (5) e sexta-feira (6), arrastando os principais índices de Wall Street e diversos mercados da Ásia. O movimento, que ocorre logo após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, intensificou dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA) e possíveis novas regras para centros de dados.
Derretimento em Nova York
O índice Nasdaq cedeu 5,52%, anotando o pior pregão desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36% e o Dow Jones, 3,44%. Entre as chamadas “Magnificent Seven”, a Tesla liderou as perdas com 10,8%. Fabricantes de chips foram ainda mais penalizadas: o índice de semicondutores da Filadélfia despencou 12,2%, com destaque para Nvidia (-9,3%) e AMD (-17,3%).
Contágio asiático e circuit breaker na Coreia
Na sessão seguinte, a pressão migrou para o Oriente. O Nikkei tombou 5,96%, enquanto o Kospi cedeu 6,02% após tocar queda intradiária de 8,55%, acionando circuit breaker de 20 minutos em Seul. SK Hynix caiu 10,4% e Samsung Electronics, 6,4%. Em Taiwan, TSMC perdeu 4,7%; no Japão, SoftBank recuou 11%.
Gastos recordes em IA alarmam investidores
Segundo levantamento da Reuters, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram os aportes em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em apenas um ano, e podem atingir US$ 740 bilhões até 2026. Embora a demanda por IA siga alta, analistas cobram prazos claros para que esses desembolsos se convertam em receitas e fluxo de caixa.
Vitória democrata adiciona incerteza regulatória
O controle democrata no Congresso reforçou receios de regras mais rígidas para novos data centers, estruturas que consomem grande volume de energia e água. A possível demora em licenças ou incentivos fiscais deixa o mercado em compasso de espera, pressionando os valores das empresas que lideram a corrida pela IA.
Especialistas veem ajuste, não colapso
Para Celso Camilo, doutor em IA pela UFG, o resultado eleitoral foi “gatilho, não causa”. Ele alerta que o mercado já mostrava fragilidade e agora reavalia expectativas de valorização. Nickolas Lobo, da Nomad, acrescenta que o vencedor da próxima fase será quem garantir retorno sobre o capital, e não simplesmente quem investir mais.

Imagem: Internet
Apesar da correção brusca, analistas preveem volatilidade pontual, à medida que empresas divulgarem resultados detalhando prazos para monetizar suas plataformas de inteligência artificial.
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Crédito da imagem: G1

