Renúncia de Santiago Peña abala cenário político paraguaio
Renúncia de Santiago Peña marcou esta quinta-feira (5) no Paraguai, pondo fim a um mandato iniciado em 2023 e mergulhado em forte crise bancária. Pressionado por um processo de impeachment com apoio unânime na Câmara, o presidente divulgou vídeo em que se desculpa e defende que a saída “garante a estabilidade do país”.
Crise do banco Ueno detonou o processo
A turbulência começou quando o banco digital Ueno, com cerca de 3 milhões de clientes e US$ 850 milhões em depósitos públicos, teve liquidação decretada pelo Banco Central paraguaio em 3 de novembro. Filas nos caixas e protestos em Assunção mostraram o impacto imediato sobre correntistas sem acesso ao próprio dinheiro.
Peña, economista e ex-acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025, foi acusado pela oposição de conflito de interesses, manipulação de regras e uso irregular de recursos previdenciários. A Procuradoria expediu mandados de prisão contra executivos e bloqueou bens de 27 envolvidos.
Congresso unificado pelo impeachment
Na manhã desta quinta, o Congresso realizou sessão extraordinária para votar a admissibilidade do impeachment. Todas as bancadas, inclusive aliados históricos do Partido Colorado, sinalizaram voto favorável. A articulação ganhou força após Basilio Nuñez, presidente do Congresso, e Horacio Cartes, líder colorado, retirarem apoio ao chefe do Executivo.
Para avançar, o processo exigia maioria de dois terços dos presentes, número já garantido antes mesmo do início da votação segundo a imprensa local. Diante desse cenário, aliados passaram a aconselhar a renúncia voluntária como forma de evitar derrota formal no plenário.
Repercussão no sistema financeiro
Relatos de instabilidade em aplicativos de outros bancos ampliaram receio de efeito dominó. A Associação de Bancos do Paraguai afirmou que as instituições permanecem sólidas, mas reconheceu aumento incomum no volume de transferências de correntistas do Ueno para concorrentes.

Imagem: Internet
Especialistas apontam que a saída de Peña reforça urgência de reformas regulatórias. Segundo análise da Reuters, a credibilidade do Banco Central será determinante para conter a fuga de capitais.
Próximos passos
Com a vacância, assume interinamente o vice-presidente Pedro Alliana, também colorado, até convocação do Congresso para definir eventual eleição antecipada. Alliana declarou “compromisso absoluto” com a investigação das irregularidades e prometeu priorizar lei já sancionada por Peña que agiliza o ressarcimento aos clientes do Ueno.
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Crédito da imagem: Daniel Duarte/AFP

