Crise no banco Ueno gera protestos e renúncia no BC
Crise no banco Ueno mobilizou milhares de paraguaios em Assunção nesta terça-feira (3), após clientes encontrarem as agências fechadas e os aplicativos fora do ar. O banco digital, com cerca de 3 milhões de correntistas, teve o índice de solvência reduzido para menos da metade do exigido em lei, desencadeando uma intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP).
BCP age para proteger depósitos
Para conter danos ao sistema financeiro, o BCP adotou medidas emergenciais que limitam saques e tentam resguardar os recursos. O episódio levou à renúncia do presidente do órgão, Carlos Carvallo, que alegou querer “reduzir a controvérsia” enquanto a Superintendência de Bancos fiscaliza o Ueno.
Pressão nas ruas e no governo
Com US$ 850 milhões em recursos públicos — incluindo verbas do Instituto de Previdência Social (IPS) — bloqueados, aposentados e demais clientes protestaram diante da sede do Ueno. Houve confrontos com a polícia. “Exigimos acesso ao nosso dinheiro”, afirmou Manuel Cáceres, morador de Ñemby, à agência Reuters.
Congresso corre para votar garantia
O presidente Santiago Peña selou acordo com parlamentares para acelerar um projeto que permite usar o Fundo de Garantia nacional no ressarcimento dos correntistas e na recuperação dos recursos públicos retidos. Peña reforçou que se trata de “um caso específico”, não de risco sistêmico.
Investigação criminal
O Ministério Público pediu a prisão de oito executivos ligados ao Ueno e apura se o banco financiou irregularmente a venda de carteira de ativos do Grupo Vázquez, seu controlador. A instituição nega envolvimento, mas segue sob auditoria independente nomeada pela Superintendência de Bancos.

Imagem: Internet
Caso a crise avance, os títulos internacionais do Paraguai já sinalizam preocupação, refletindo o receio de investidores sobre a saúde do setor financeiro local.
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Crédito da imagem: DANIEL DUARTE/AFP

