Ibovespa cai 18% e iguala pior semana desde 2020
Ibovespa despencou 18,02% na semana que sucedeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fechando sexta-feira aos 167.922 pontos após cinco pregões negativos consecutivos. O tombo iguala a magnitude da semana dos atentados de 11 de Setembro de 2001 (-18,12%) e fica próximo ao recuo de 18,88% registrado no início da pandemia, em março de 2020.
Impacto imediato da eleição
Analistas atribuem a volatilidade à revisão rápida das apostas depois de o mercado ter precificado, até a véspera do pleito, um cenário diferente. A expectativa de mudanças na política fiscal, somada à incerteza sobre o futuro ministro da Fazenda, estimulou a venda de ações, sobretudo por investidores estrangeiros.
Perdas bilionárias e dólar em disparada
Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, as companhias listadas na B3 perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado no período – o equivalente a todo o valor de mercado da Petrobras mais R$ 229 bilhões. No câmbio, o dólar Ptax saltou 7,61%, maior alta semanal desde setembro de 2011, quando temores sobre a dívida grega elevaram a aversão ao risco. O recorde histórico permanece em janeiro de 1999, com +21,11%, logo após o câmbio passar ao regime flutuante.
Quintas piores semanas desde o Plano Real
Com o recuo, a bolsa brasileira registrou a quinta pior performance semanal desde 1994. As maiores quedas seguem lideradas pela crise asiática de 1997 (-22,17%), crise do subprime em 2008 (-20,01%), início da pandemia em 2020 (-18,88%) e 11 de Setembro de 2001 (-18,12%).
Risco fiscal no centro do radar
Especialistas como Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, afirmam que o movimento é sobretudo uma “desmontagem de aposta” e enfatizam a necessidade de um plano fiscal crível para conter a desconfiança. Emerson Farias, da Convexa Investimentos, reforça que o Brasil dispõe de reservas cambiais sólidas, mas que o “ponto de tensão é o risco fiscal”, aguardando-se definição da equipe econômica e metas para a dívida pública, hoje em 82,9% do PIB.
Próximos testes para o mercado
Além dos anúncios do governo, a decisão do Comitê de Política Monetária na próxima quarta-feira será decisiva. Até a eleição, o consenso era de corte de 0,25 p.p. na Selic; agora, cresce a expectativa de manutenção em 13,75%. Fatores externos, como as eleições de meio de mandato nos EUA e a alta do petróleo, também seguem no radar. O Banco Central poderá voltar a atuar se a pressão sobre o câmbio aumentar.

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Em resumo, a recuperação do Ibovespa dependerá do grau de previsibilidade fiscal e do comportamento dos juros. Correções técnicas podem ocorrer, mas, segundo os especialistas, só um compromisso sólido com as contas públicas sustentará uma tendência de alta consistente.
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Crédito da imagem: Arte/g1

