terça-feira, outubro 27, 2026
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Religião orienta ética da IA em gigantes de tecnologia

Religião orienta ética da IA em gigantes de tecnologia

Religião surge como guia ético para a inteligência artificial (IA) em laboratórios de ponta. Enquanto a corrida por modelos cada vez mais potentes se intensifica, empresas como Anthropic, OpenAI, Google e Microsoft buscam no diálogo inter-religioso uma forma de definir o que é certo ou errado para seus chatbots.

Laboratórios procuram respostas fora da ciência

Durante um evento no Vaticano, o cofundador da Anthropic, Chris Olah, afirmou que questões morais sobre IA estão além do escopo de um laboratório tradicional e pertencem a tradições que “lidam com elas há milênios”. A companhia relatou ter consultado líderes de mais de 15 grupos religiosos, além de filósofos e especialistas em ética, número que promete ampliar.

Sam Altman, CEO da OpenAI, defendeu que sistemas como o ChatGPT reflitam “a média ponderada da visão moral da humanidade”. Para alcançar essa meta, executivos mantêm reuniões com representantes católicos, protestantes, budistas, hinduístas e outras correntes, na tentativa de extrair princípios comuns que evitem vieses ou decisões socialmente danosas.

Críticos apontam risco de simplificação

Acadêmicos alertam que reduzir tradições milenares a um “livro de regras” pode distorcer crenças. O antropólogo Webb Keane, da Universidade de Michigan, lembra que fé, cultura e política são inseparáveis e que a abordagem empresarial tende a priorizar visões ocidentais. Já Paolo Carozza, membro do Conselho de Supervisão da Meta, teme que a mistura de doutrinas gere uma ética genérica, incapaz de preservar a riqueza de cada religião.

Pesquisa histórica reforça a crítica. A professora Tomoko Masuzawa destaca que conceitos como “budismo” e “hinduísmo” só foram sistematizados por estudiosos europeus no século XIX, mostrando que nem sempre religiões são sistemas comparáveis. Ao combinar textos sagrados em enormes bases de dados, grandes modelos de linguagem podem aplainar diferenças cruciais.

Encontros ganham profundidade e diversidade

Apesar dos receios, participantes relatam avanços. A filósofa Meghan Sullivan, da Universidade de Notre Dame, elogiou a “profundidade nerd” das discussões na Anthropic, em que líderes religiosos debatem desde a existência da alma até o uso de chatbots no ensino fundamental. Para Sullivan, o ambiente lembra “um bom campus universitário”, com foco em segurança e caráter.

Segundo a companhia, a meta não é alinhar o modelo Claude a uma tradição específica, mas inspirar-se em visões religiosas, seculares e políticas “com igual rigor”. Esse movimento ecoa outras iniciativas, como parcerias da Microsoft com comunidades de fé e reuniões da Meta e da Amazon com o Vaticano, tema analisado pela BBC.

À medida que a IA avança, o desafio é conciliar inovação técnica e pluralismo espiritual sem apagar identidades. O debate continuará central para o setor.

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Crédito da imagem: Aly Song/Reuters

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