Trabalho infantil no Brasil cai a mínimo histórico em 2025
Trabalho infantil alcançou o menor nível já registrado no país: 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos exerciam alguma atividade econômica ou produção para consumo próprio em 2025, mostram dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE.
Queda expressiva nas piores formas de exploração
Entre os jovens ocupados, 525 mil (36,2%) estavam envolvidos nas piores formas de exploração previstas na Lista TIP, que abrange tarefas perigosas, insalubres ou noturnas proibidas para menores de 18 anos. O total representa recuo de 6,3% em relação às 560 mil ocorrências estimadas em 2024 e redução acumulada de 42,9% quando comparado a 2016.
Perfil evidencia desigualdades
Meninos compõem 65,4% do universo de trabalhadores infantis, e 67% são pretos ou pardos. Na faixa etária de 16 e 17 anos concentram-se 871 mil casos, o equivalente a 58,1% do total e a 14,5% da população desse grupo. Já os adolescentes de 14 e 15 anos somam 348 mil registros (5,9%), enquanto 280 mil crianças de 5 a 13 anos (1,1%) também trabalham, principalmente em atividades voltadas ao consumo familiar.
Distribuição regional
O Sudeste reúne a maior quantidade absoluta, com 481 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, seguido pelo Nordeste (408 mil), Norte (249 mil), Sul (233 mil) e Centro-Oeste (128 mil). Contudo, proporcionalmente, o Norte lidera com taxa de 6,3%, enquanto o Sudeste apresenta a menor (3,3%). O Nordeste foi a região que mais reduziu casos desde 2016: queda de 45,6%.
Impacto do Bolsa Família e informalidade
A maior parte da retração observada entre 2024 e 2025 ocorreu em domicílios beneficiários do Bolsa Família: 144 mil crianças e adolescentes deixaram o trabalho infantil, respondendo por mais de 95% da redução nacional de 151 mil casos. Ainda assim, 573 mil jovens dessas famílias permanecem trabalhando, numa população total de 13,1 milhões de beneficiários de 5 a 17 anos.
A informalidade segue elevada. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos que trabalham, 67% não tinham carteira assinada — menor patamar da série, mas ainda representando cerca de 705 mil pessoas.

Imagem: Internet
Fiscalização e denúncias batem recorde
O Ministério do Trabalho e Emprego realizou 10.234 ações fiscais em 2025 e afastou 4.318 menores de atividades ilegais, maior número em uma década. As denúncias também cresceram: o Disque 100 recebeu 5,1 mil relatos (+19,4%) e o Ministério Público do Trabalho, 7,9 mil (+36,6%). Organismos internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho, apontam que fiscalização contínua e programas de transferência de renda são cruciais para acelerar o combate ao trabalho infantil.
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Crédito da imagem: g1
