Agronegócio busca equilíbrio com China após eleição
Agronegócio brasileiro avalia que a continuidade dos investimentos chineses depende de sinais de estabilidade jurídica e política após o primeiro turno das eleições, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pequim adota postura cautelosa
Segundo a especialista em China Larissa Wachholz, ex-assessora do Ministério da Agricultura, a China monitora a América Latina para identificar onde seus aportes e relações comerciais são bem-vindos. Ela aponta que o receio de um alinhamento automático do Brasil aos Estados Unidos, caso Donald Trump vença, reforça a cautela de Pequim.
Infraestrutura sob influência chinesa
Investimentos chineses têm reduzido gargalos logísticos, especialmente na cadeia de carnes, que requer contêineres refrigerados e portos adaptados. Exemplos citados incluem a participação da Cofco no terminal STS11, em Santos (SP), e a expansão da TCP em Paranaguá (PR), controlada pela China Merchants Port, concluída em 2024.
“Frango não tem partido”
Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), ideologia não deve interferir na segurança alimentar provida pelo setor, responsável por 35 % do PIB. “Não há governo que atrapalhe um negócio que alimenta 170 países”, afirmou no evento do Insper em São Paulo.
Equilíbrio entre potências
Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, lembrou que a política tarifária de Trump complicou o ambiente internacional e defendeu que o Brasil mantenha boas relações tanto com Washington quanto com Pequim. Dados do Ministério da Agricultura mostram a China como maior compradora do agro brasileiro, seguida por União Europeia e Estados Unidos.
Especialistas ressaltam que, para preservar competitividade, o Brasil precisa sinalizar clima favorável aos investimentos. “Os aportes só fazem sentido se houver estabilidade jurídica”, frisou Wachholz, que coordena o Programa Ásia do Cebri. A mesma visão é compartilhada por analistas internacionais, como a FAO, que destacam a importância da previsibilidade em cadeias globais de alimentos.

Imagem: Internet
No cenário pós-eleitoral, o agronegócio entende que a atração de capital estrangeiro passa por diplomacia pragmática e pelo reforço da segurança jurídica, fatores decisivos para manter o fluxo de recursos chineses em logística e infraestrutura.
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Crédito da imagem: G1
