sexta-feira, outubro 9, 2026
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Terras raras: Lynas compra projeto em Minas por R$ 3,5 bi

Terras raras: Lynas compra projeto em Minas por R$ 3,5 bi

Terras raras voltam ao centro das atenções com o anúncio da Lynas Rare Earths de que vai adquirir 100% da Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões), em operação de troca de ações divulgada nesta quinta-feira (1º).

Condições do negócio

Pelo acordo, cada acionista da Meteoric receberá 0,0207 ação da Lynas, equivalente a A$ 0,286 por papel, um prêmio de 68,4% sobre o fechamento de 30 de setembro. A transação depende da aprovação dos acionistas da Meteoric, autorização judicial, aval regulatório na Austrália e no Brasil, além de parecer de especialista independente. A assembleia está prevista para janeiro de 2027, e a conclusão, para março do mesmo ano.

Projeto Caldeira em destaque

Localizado no Sul de Minas Gerais, o projeto Caldeira é descrito pelas empresas como o maior depósito conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China. Os recursos somam 128 milhões de toneladas, com estimativa de 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 41 mil toneladas de óxidos de disprósio e térbio (DyTb). O estudo de viabilidade definitivo projeta produção média anual de 3.862 t de NdPr e 127 t de DyTb.

Investimento adicional e integração

A Lynas calcula que serão necessários mais de US$ 500 milhões para desenvolver o ativo e avalia instalar etapas de processamento no Brasil, integrando o fluxo de produção às plantas já existentes na Austrália e na Malásia. A companhia também garantiu à Meteoric uma linha de financiamento de até A$ 110 milhões para cobrir gastos de desenvolvimento e capital de giro durante o processo de transição.

Cenário global das terras raras

Com o Brasil detendo a segunda maior reserva mundial e a China respondendo por cerca de 70% da produção, a diversificação de fontes tornou-se estratégica para várias economias. Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda por elementos como NdPr pode triplicar até 2040, impulsionada por veículos elétricos e turbinas eólicas.

Ao final da operação, os atuais acionistas da Meteoric deverão deter aproximadamente 5,9% do capital da Lynas. O maior investidor individual, Tolga Kumova, já indicou apoio, desde que não surja oferta superior.

Para saber como este movimento pode impactar outros segmentos de commodities e investimentos no país, confira a editoria de Finanças e acompanhe nossas próximas atualizações.

Crédito da imagem: Gil Leonardi / Agência Brasil

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