Mercados alternativos aos EUA: Latam e UE lideram opções
Mercados alternativos aos EUA tornam-se vitais para exportadores brasileiros depois que o tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump em 2026 derrubou em até 60% as vendas para o país norte-americano, segundo empresários ouvidos pelo g1.
Tarifaço dos EUA compromete faturamento
Empresas como a Engemasa, cujo mercado americano respondia por 40% do faturamento em 2025, hoje registram receita nula nos EUA, relata o diretor-geral João Baroni. O setor de máquinas e equipamentos também sente o baque: a Utilinox viu alguns itens perderem 60% do volume exportado após a alíquota de 50% sobre aço e alumínio prevista na Seção 232.
Além da taxação, clientes reclamam da falta de previsibilidade para compras, fator que desestrutura cadeias produtivas construídas ao longo de décadas, afirma Baroni.
América Latina e União Europeia despontam
Para conter perdas imediatas, 72% das 2,4 mil companhias atendidas pela ApexBrasil já vendem a pelo menos um destino extra, aponta o presidente Laudemir Müller. A proximidade logística torna a América Latina porta de escape inicial, enquanto o recém-assinado acordo Mercosul-União Europeia prevê zerar tarifas de mais de 5 mil produtos, 93% deles bens industriais.
Cenários explorados incluem ainda Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, as exportações brasileiras para a China cresceram 15% entre janeiro e agosto, somando US$ 77,07 bilhões.
Especialistas reforçam que diversificar não significa trocar uma dependência por outra. “O objetivo é ampliar o número de mercados”, resume Marcelo Vitali, da consultoria How2Go.
Incentivos oficiais apoiam diversificação
O governo acelerou programas como o Brasil Soberano, que destina R$ 22,6 bilhões a setores industriais estratégicos, e liberou R$ 210 milhões em ações de inteligência de mercado via ApexBrasil. Há também ampliação do Seguro de Crédito à Exportação e R$ 3,48 bilhões no Proex para 2026.

Imagem: Internet
Dados da Organização Mundial do Comércio indicam que ampliar destinos reduz riscos cambiais e políticos, sobretudo para micro e pequenas empresas, as mais afetadas pela alta de custos e pela necessidade de adaptação técnica a novos compradores.
Competitividade continua desafio
Apesar do alívio que novos mercados podem trazer, a Confederação Nacional da Indústria lembra que o setor de transformação caiu de 35,9% do PIB em 1985 para 13,7% em 2025. Investimento em inovação e redução do chamado “Custo Brasil” seguem essenciais para recuperar competitividade de longo prazo.
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Crédito da imagem: Ken Cedeno/Reuters
