sexta-feira, outubro 9, 2026
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Petróleo em Oiapoque desperta esperança e alerta ambiental

Petróleo em Oiapoque desperta esperança e alerta ambiental

Petróleo em Oiapoque impulsiona expectativas de desenvolvimento, mas também provoca preocupação entre indígenas, pescadores e ambientalistas na fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

Temor indígena e dos pescadores

Moradores da aldeia Mangá, a 20 km do centro de Oiapoque, relatam apreensão com a atividade offshore iniciada pela Petrobras há um ano. O cacique Wagner Karipuna, de 57 anos, teme que um vazamento atinja os rios Curipi e Oiapoque. Ele afirma que o barulho constante de helicópteros já afasta aves e outros animais.

O vice-presidente da colônia de pescadores Z03, Joelso Mendonça, reforça a incerteza. Para ele, qualquer indício de contaminação pode comprometer a venda do pescado de cerca de 400 profissionais que dependem da atividade.

Empregos e royalties em perspectiva

Apesar das críticas, parte da população enxerga a exploração como chance inédita de emprego e renda. Estudo do Observatório Nacional da Indústria projeta mais de 50 mil vagas no Amapá caso a produção comercial avance. A pastora Jacqueline Cadete, que retornou do exterior em 2025, alugou casa em um dos novos bairros esperando oportunidades trazidas pelo “ouro negro”.

A Petrobras identificou hidrocarbonetos em um poço a 175 km da costa em agosto passado. A presidente da estatal, Magda Chambriard, pondera que a produção só deve começar em seis ou sete anos, prazo que ainda pode alongar as expectativas locais.

Cidade muda antes do óleo fluir

Oiapoque, com 28 mil habitantes no Censo 2022, já sente aumento populacional: a prefeitura estima entre 40 mil e 45 mil moradores. A procura por moradia pressiona o mercado imobiliário; famílias, como a de Thais Pereira de Souza, migram do centro para áreas periféricas, muitas sem água ou eletricidade.

O prefeito Inácio Monteiro Maciel reconhece que “é preciso começar quase tudo do zero” em infraestrutura e políticas sociais. Enquanto isso, a Associação Comercial e Industrial de Oiapoque mantém cautela diante do que chama de “especulação de segunda Dubai”.

Especialistas lembram que não existe exploração offshore sem risco. Segundo o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, a probabilidade de vazamento é baixa, porém os impactos podem ser severos. A estatal afirma, em nota, que estudos de correnteza descartam chegada de óleo à costa e que o diálogo com comunidades segue aberto. A Agência Nacional do Petróleo reforça que toda operação passa por licenciamento ambiental específico.

Com expectativas de progresso e receios ambientais, Oiapoque vive dilema semelhante ao de outras regiões amazônicas diante da chegada de grandes projetos energéticos.

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Crédito da imagem: Albenir Sousa/Rede Amazônica

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