Gastar dinheiro na aposentadoria vira tendência no Reino Unido
Gastar dinheiro na aposentadoria está deixando de ser exceção e se transformando em movimento global, segundo levantamentos do setor de previdência. Aos 64 anos, a britânica Sarah Moorhouse resume o novo espírito ao usar a poupança privada para viajar quatro ou cinco vezes por ano, sem a preocupação de poupar para as filhas. “Só se vive uma vez”, afirma a ex-administradora escolar, que substituiu um conversível clássico por um modelo moderno para explorar destinos como Escócia, Cambridgeshire e Lake District.
Pais priorizam o presente
Relatório da seguradora Standard Life aponta que 15% dos pais britânicos já planejam gastar a maior parte dos recursos durante a aposentadoria, deixando a herança em segundo plano. Nos Estados Unidos, a expectativa de receber patrimônio familiar caiu de 25% para 20% em um ano, de acordo com pesquisa da Northwestern Mutual.
Mudança nos planos de previdência
Especialistas atribuem o fenômeno ao fim dos planos de benefício definido, que garantiam renda vitalícia. “Quando o dinheiro pode acabar, a prioridade passa a ser aproveitar enquanto é possível”, explica Mike Ambery, diretor da Standard Life, em entrevista à BBC. Paralelamente, dados do Institute for Fiscal Studies mostram que a renda disponível dos aposentados britânicos, excluindo moradia, avançou mais que a de trabalhadores nas últimas três décadas.
Filhos aprovam nova postura
Poppy, uma das duas filhas de Sarah, apoia a decisão dos pais. “É uma loucura esperar herança. Prefiro que eles vivam como desejam”, diz. A opinião reflete pesquisa que aponta crescente compreensão dos jovens sobre a necessidade de os mais velhos usarem seu próprio dinheiro.
Exemplos que inspiram
Outra adepta da filosofia “gaste agora” é Karen Green, 60, que vive na Provença, França, e reserva mais de US$ 13 mil anuais para viagens como retiros de ioga no Marrocos e roteiros pelo Vietnã e Laos. Semiaposentada, ela combina consultoria empresarial, aluguel de imóvel e aposentadoria privada para manter o ritmo: “Fui clara com meus filhos: provavelmente não haverá herança”.

Imagem: Internet
Embora 69% dos aposentados britânicos contem com previdência complementar e 56% dos americanos possuam planos privados, cerca de 16% dos idosos no Reino Unido e 15,4% nos EUA ainda vivem na pobreza. O contraste reforça a importância de planejamento individual, transparência familiar e, principalmente, liberdade para decidir como usar o dinheiro conquistado após décadas de trabalho.
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Crédito da imagem: G1
