Avatares de IA viram negócio lucrativo nas redes sociais
Avatares de IA hiper-realistas estão movimentando um mercado que converte atenção em dinheiro em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram. Criados por ferramentas de inteligência artificial, esses personagens acumulam milhares de seguidores ao atuar como influenciadores, vendedores e até falsos especialistas, gerando renda por meio de monetização de vídeos, comissões em marketplaces e revenda de perfis de alto engajamento.
Produção em escala industrial aumenta alcance
Com softwares de automação cada vez mais acessíveis, um único roteiro pode ser traduzido para diversos idiomas e encenado por dezenas de avatares sintéticos. O objetivo é cumprir rapidamente requisitos de monetização — por exemplo, as 4 mil horas de exibição exigidas pelo YouTube — e, depois, redirecionar os canais para nichos mais lucrativos, como infoprodutos de saúde. Pesquisadores do NetLab/UFRJ alertam que a nova fase da automação vai além de curtir e compartilhar: agora vídeos completos podem ser gerados em massa, dificultando a identificação do conteúdo patrocinado.
Conteúdos sensacionalistas atraem públicos vulneráveis
Mapeamentos da organização Ctrl Z revelam que os temas mais explorados variam de entretenimento infantil a supostos tratamentos milagrosos, sempre apelando a emoções como medo, urgência e esperança. O material, conhecido como “slop”, costuma apresentar erros factuais e desinformação, mas ainda assim alcança grande audiência graças aos algoritmos de recomendação.
Riscos à saúde e desafios regulatórios
A propagação de conselhos médicos sem comprovação científica é vista como o impacto mais grave. Comentários em vídeos indicam que usuários abandonam tratamentos tradicionais para seguir orientações de avatares. Juridicamente, especialistas lembram que crimes como estelionato ou exercício ilegal da medicina se aplicam mesmo quando praticados por perfis sintéticos.
Plataformas cobram rótulo, mas fiscalização falha
YouTube e TikTok afirmam exigir a sinalização de conteúdo criado por IA e prometer rótulos automáticos, porém ainda dependem da autodeclaração dos criadores. Segundo Fernando Ferreira, do NetLab, a responsabilidade pela recomendação do material é das próprias plataformas, que “passam a culpa ao usuário” ao não checar a veracidade antes de exibir os vídeos. Uma reportagem do The New York Times aponta tendência semelhante em outros países, reforçando a necessidade de regras globais.

Imagem: Internet
Embora a criação de personagens de IA não seja ilegal, especialistas defendem rotulagem obrigatória em destaque e maior moderação para proteger usuários de fraudes e manipulação emocional.
Quer saber como a tecnologia impacta sua rotina? Visite nossa editoria de Tech e acompanhe as últimas novidades do setor.
Crédito da imagem: Reprodução / TikTok
