Drogas no PIB: IBGE vai incluir mercado ilegal em 2028
Drogas no PIB: IBGE vai incluir mercado ilegal em 2028. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística confirmou que, na próxima revisão do Sistema de Contas Nacionais, prevista para 2028, passará a estimar o valor movimentado pela comercialização de drogas ilícitas no Produto Interno Bruto brasileiro.
Por que registrar uma atividade ilegal?
A decisão não legitima o tráfico nem transforma crimes em atividades formais. O objetivo é evitar que uma fatia relevante da produção, renda e consumo fique fora das estatísticas econômicas. Quando uma família gasta com substâncias ilegais e esse valor não aparece nas contas, a poupança domiciliar pode ser superestimada, gerando distorções em indicadores como renda das famílias e formação de capital.
O procedimento segue recomendações internacionais presentes no System of National Accounts da ONU, que orienta a inclusão de transações voluntárias entre comprador e vendedor, mesmo que o bem ou serviço seja proibido. Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Hungria já adotam metodologia semelhante desde a década passada.
Metodologia baseada na demanda
Para estimar o mercado, o IBGE partirá do lado da demanda. O cálculo combina três variáveis principais: número de usuários, consumo médio por usuário e preço de venda. O produto desses fatores gera o gasto total. Em seguida, o instituto deve separar o que é abastecido por produção doméstica e o que chega via importação ilegal, além de considerar custos de produção para chegar ao Valor Adicionado Bruto (VAB) do segmento.
A proposta começou a ser estudada em 2019, com um teste inicial em 2021. Desde então, equipes vêm refinando pesquisas de consumo, parâmetros de preço e séries históricas para garantir comparabilidade com dados já divulgados.

Imagem: cta própria bate recorde
Próximos passos
Os resultados preliminares só serão apresentados em 2028, quando a revisão estrutural das Contas Nacionais for concluída. Até lá, o IBGE deve esclarecer se outras atividades ilícitas – como prostituição ou contrabando – também entrarão nas contas, já que manuais internacionais recomendam avaliar esses mercados.
Medidas como essa ajudam a aproximar as estatísticas brasileiras de padrões globais e aprimoram a análise da economia nacional. Quer saber mais sobre como mudanças metodológicas impactam indicadores? Acesse nossa editoria de Finanças e continue informado.
Crédito da imagem: G1
