Insegurança alimentar global eleva risco de guerras
Insegurança alimentar crescente, impulsionada por eventos climáticos extremos e choques geopolíticos, ameaça desencadear novos conflitos em várias partes do mundo, indica pesquisa do Instituto de Análise Econômica (IAE-CSIC) e da Escola de Economia de Barcelona.
Secas, El Niño e colheitas em queda
O fenômeno El Niño, já em desenvolvimento, vem agravando secas em regiões tropicais e derrubando a produtividade agrícola. Arrozais na Indonésia, por exemplo, racharam sob altas temperaturas, cenário que pode se repetir em Bangladesh, Camboja e partes da África, segundo o novo Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi).
Cadeias de suprimentos pressionadas por conflitos
Além do clima, guerras têm paralisado rotas de grãos e fertilizantes. O prolongado conflito na Ucrânia e as tensões no Estreito de Ormuz, envolvendo o Irã, impulsionaram preços de combustíveis e insumos, elevando custos para agricultores e consumidores.
Mudança de produtividade cria novos focos de tensão
O estudo mostra que regiões antes pouco valorizadas podem se tornar cobiçadas à medida que se tornam mais férteis. No Sudão, áreas propensas a ganhos agrícolas futuros já despertam disputas de terra. Em países não democráticos, a falta de instituições sólidas para mediar interesses opostos eleva a probabilidade de violência.
Ásia do Sul e Sahel sob alerta máximo
Com cerca de 2 bilhões de habitantes, o Sul da Ásia depende de importações de trigo, milho e óleo de palma. O degelo acelerado no Himalaia deverá reduzir a oferta hídrica nas próximas décadas, potencializando crises humanitárias. No Sahel africano, a combinação de crescimento populacional rápido e declínio agrícola pode favorecer o recrutamento por grupos armados.
Instituições fortes fazem diferença
Especialistas afirmam que democracias, mesmo lentas, oferecem canais de negociação que mitigam choques sociais causados pela escassez. Onde governos, tribunais e organizações locais falham, a competição por terra, água e empregos tende a migrar das mesas de diálogo para os campos de batalha.

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Relatórios da FAO corroboram a necessidade urgente de políticas de adaptação que vão além de sementes resistentes: é preciso garantir distribuição justa de recursos e fortalecer instituições para evitar que a pressão sobre o prato vire pressão sobre a paz.
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Crédito da imagem: Donal Husni/NurPhoto/picture alliance via DW
