Desigualdade no Brasil: 1% concentra 24,3% da renda
Desigualdade no Brasil continua alta, apesar de avanços na redução da pobreza. Relatório da Oxfam Brasil indica que o 1% mais rico acumulou 24,3% de toda a renda nacional em 2023 e concentrou 37,3% do patrimônio declarado, ampliando sua influência política e econômica.
Distância entre ricos e pobres diminui, mas segue expressiva
Dados da PNAD Contínua mostram que o rendimento do 1% mais rico equivale a 36,2 vezes o ganho médio dos 40% mais pobres, a menor diferença desde 2012, porém ainda elevada. Já informações da Receita Federal revelam uma concentração ainda maior: os 10% de maior renda ficam com 52% de tudo o que é declarado.
Riqueza cresce no topo da pirâmide
Entre 2017 e 2023, a fatia de renda do 1% avançou de 20,4% para 24,3%, crescendo 4,4% ao ano, frente a 1,4% da renda média nacional. Cerca de 85% desse aumento ficou com o 0,1% da população; metade, com o restrito grupo dos 0,01%. Nesse estrato, 90% dos rendimentos vêm de lucros, dividendos e aplicações financeiras.
Patrimônio concentrado em ativos financeiros
O 1% detém 37,3% da riqueza, e, dentro do 0,1%, 80% do patrimônio está em ações, fundos e outros investimentos, enquanto apenas 15% corresponde a imóveis. Segundo a Oxfam, essa carteira favorece o acúmulo contínuo de capital ao longo do tempo.
Desigualdades de gênero e raça
Mulheres representam 44,1% dos declarantes de Imposto de Renda, mas respondem por 38% da renda e apenas 29,5% do patrimônio. A renda média anual feminina é de R$ 120,6 mil, contra R$ 155,3 mil entre homens; o patrimônio médio delas (R$ 246 mil) é pouco mais da metade do masculino (R$ 463,6 mil). Entre quem recebe mais de 320 salários mínimos, as mulheres detêm só 11,6% da renda.
No mercado de trabalho formal, homens não negros ganham em média R$ 6.560 mensais; mulheres não negras, R$ 5.039; homens negros, R$ 3.875; e mulheres negras, R$ 3.026. Ao incluir o setor informal, a renda média das mulheres negras cai para R$ 2.079, 54% menor que a dos homens não negros.

Imagem: Internet
Sistema tributário reforça disparidades
A Oxfam sustenta que a carga tributária brasileira incide principalmente sobre consumo e salários, onerando famílias de baixa renda, enquanto lucros, dividendos e heranças são pouco taxados. A alíquota efetiva paga pelo 0,01% mais rico é de 4,6%, inferior à de muitos trabalhadores assalariados. Para conhecer o relatório completo, visite a página da Oxfam Brasil.
O estudo conclui que políticas focadas apenas em aliviar a pobreza não bastam; é necessário enfrentar a concentração de renda no topo por meio de reformas tributárias que taxem capital e patrimônio.
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Crédito da imagem: Foto: Celso Tavares/G1
