sábado, outubro 10, 2026
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PF recupera mensagens de visualização única de Vorcaro

PF recupera mensagens de visualização única de Vorcaro

PF recupera mensagens que Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes em modo de visualização única, segundo relatório da Polícia Federal (PF) com sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal. O documento detalha que, em 17 de novembro de 2025, véspera da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, cinco imagens com anotações foram transmitidas pelo WhatsApp e, apesar do recurso de autodestruição, acabaram recuperadas.

Capturas de tela deixaram rastros

Como textos não podem ser enviados em visualização única, Vorcaro redigiu as mensagens no aplicativo Notas do iPhone, capturou a tela e enviou as imagens. Cada print gerou arquivos temporários que ficaram gravados no aparelho. Investigadores cruzaram o horário desses arquivos com o log de envio no WhatsApp e reconstruíram o conteúdo, que incluía a pergunta: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”

Ferramentas Cellebrite e IPED

Para acessar o iPhone bloqueado, a PF utilizou o software israelense Cellebrite, capaz de extrair mensagens e arquivos mesmo em dispositivos criptografados. Depois, aplicou o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), desenvolvido por peritos brasileiros, que varre todo o material coletado, converte textos presentes em imagens e permite buscas por padrões como CPF ou valores.

Criptografia não impede acesso local

O WhatsApp adota criptografia de ponta a ponta desde 2016, evitando interceptações durante o tráfego. No entanto, especialistas lembram que as mensagens ficam descriptografadas nos aparelhos. “A segurança está no caminho; no destino, o conteúdo pode ser lido se o dispositivo for apreendido”, explicou o perito em segurança digital Wanderson Castilho.

Recuperação facilitada

Ao transformar textos em imagens, o remetente acreditava aumentar a proteção. O procedimento, contudo, gerou mais vestígios digitais, tornando a recuperação “até mais fácil que a da conversa original”, de acordo com Castilho. A estratégia reforça o alerta de que recursos de autodestruição não impedem investigações quando o aparelho é obtido pelas autoridades.

Quer entender outras técnicas usadas em investigações digitais? Confira nosso conteúdo em Tech e acompanhe as próximas atualizações sobre segurança de dados.

Crédito da imagem: Reprodução/Rosinei Coutinho/STF

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