Recuperação judicial: Casas Bahia, Habib’s e Braskem em foco
Recuperação judicial volta às manchetes após novas solicitações feitas por gigantes de setores diversos, acentuando um movimento que já soma 12 casos somente em 2026. Nesta semana, o Grupo Gennius, controlador de Habib’s, Ragazzo e Tendall, protocolou pedido de recuperação judicial para reorganizar R$ 265,2 milhões em dívidas. Poucas horas antes, a petroquímica Braskem recorreu à recuperação extrajudicial com o objetivo de reestruturar US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões) de débitos.
Varejo soma maior número de pedidos
A lista de agosto já inclui Alliança Saúde, Marabraz e Casas Bahia, que busca ajustar R$ 17,3 bilhões em obrigações após fechar quase 300 lojas e demitir 3 mil funcionários. Analistas apontam que o varejo de bens duráveis é duplamente pressionado: de um lado, juros altos encarecem o estoque; de outro, o consumidor depende do parcelamento, hoje menos acessível.
Principais fatores por trás da crise
Especialistas ouvidos indicam quatro causas recorrentes:
- Juros elevados que aumentam o custo das dívidas;
- Endividamento acumulado desde a pandemia;
- Dificuldade de acesso a crédito diante de cenário macroeconômico adverso;
- Mudança no comportamento do consumidor, com migração para e-commerce e serviços de entrega.
Para Cristina de Mello, professora da PUC-SP, “há elementos comuns, mas cada companhia traz particularidades; conflitos societários na Marabraz e custos de matérias-primas no Habib’s são exemplos”.
Impacto no mercado e nos consumidores
Apesar do volume de pedidos, Júlio Moretti, da NEOT, descarta risco sistêmico imediato. Ele prevê ambiente turbulento por até três anos, porém sem ameaça direta a clientes, desde que políticas econômicas sejam mantidas. A avaliação converge com relatório do Banco Central, que monitora liquidez corporativa (fonte: BCB).
Recuperação judicial x extrajudicial
No processo judicial, a empresa negocia dívidas sob supervisão do juiz; na extrajudicial, o diálogo é direto com credores, exigindo adesão mínima de 50% dos valores. Em ambos os modelos, a meta é evitar a falência e preservar empregos.

Imagem: Internet
Com a tendência de pedidos continuando, investidores e consumidores devem acompanhar indicadores de endividamento e geração de caixa para antecipar riscos.
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Crédito da imagem: G1
