Mineração da Braskem: cronologia do afundamento em Maceió
Mineração da Braskem deu origem a um dos maiores desastres socioambientais urbanos do país, obrigando cerca de 60 mil moradores de Maceió a deixarem suas casas desde 2018. Abaixo, relembre os fatos que levaram ao colapso do solo e aos processos judiciais em curso.
Da extração ao primeiro tremor
A exploração de sal-gema começou em 1976 pela então Salgema Indústrias Químicas S/A. Após sucessivas mudanças societárias, o negócio passou a se chamar Braskem em 2002. Por décadas, a extração, autorizada pelo poder público, abasteceu a produção de soda cáustica e PVC.
Em fevereiro de 2018 surgiram fissuras de até 280 metros no bairro do Pinheiro. Um mês depois, um tremor de magnitude 2,5 intensificou rachaduras e abriu crateras, marcando o início da crise.
Evacuações em massa e fechamento das minas
No primeiro semestre de 2019, o Serviço Geológico do Brasil confirmou que a mineração causava instabilidade no solo. A Defesa Civil emitiu ordens de evacuação para Pinheiro, Mutange e Bebedouro, estendidas depois ao Bom Parto e Farol.
Em novembro de 2019, a Braskem anunciou o fechamento definitivo de 35 poços, processo que, segundo especialistas, demandará ao menos uma década de estabilização. Desde então, mais de 14 mil imóveis foram desocupados.
Indenizações bilionárias e novas rachaduras
A empresa criou um Programa de Compensação Financeira em 2019. Em janeiro de 2023 firmou acordo de R$ 1,7 bilhão para ressarcir a Prefeitura de Maceió. No mesmo ano, moradores ainda fora do mapa oficial de risco protestaram por inclusão nos pagamentos.
Após cinco tremores em novembro de 2023, a Justiça Federal determinou a saída imediata de famílias no Bom Parto. Em 10 de dezembro, parte da mina 18 ruiu; o vazio foi preenchido com rocha e água da lagoa Mundaú, estabilizando temporariamente a área.

Imagem: Internet
Investigações e denúncia criminal
A Polícia Federal iniciou a Operação Lágrimas de Sal em 2023, cumprindo 14 mandados de busca e apreensão. Em 2026, a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, tornando a Braskem, ex-dirigentes e técnicos réus por crimes que vão de poluição ambiental qualificada a dano ao patrimônio.
O episódio segue provocando impactos urbanísticos, ambientais e econômicos, enquanto novos estudos indicam afundamentos além das zonas oficialmente delimitadas.
Para acompanhar outras atualizações sobre grandes impactos econômicos, leia também a cobertura em Finanças e continue informado.
Crédito da imagem: G1/Defesa Civil
