sábado, outubro 10, 2026
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Acordo Petrobras e Pemex mira exploração de petróleo

Acordo Petrobras e Pemex mira exploração de petróleo

Acordo Petrobras e Pemex selado por meio de um memorando de entendimento, válido por dois anos, prevê cooperação na exploração e produção de hidrocarbonetos em águas profundas, além de parceria no refino e na comercialização de biocombustíveis como o etanol. O anúncio foi reforçado por uma videochamada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a mandatária mexicana, Claudia Sheinbaum, que endossaram a iniciativa.

Complementaridade técnica em foco

Especialistas apontam que a Petrobras domina tecnologias de perfuração em lâminas d’água superiores a 2.000 metros, enquanto a Pemex carece de capacidade para explorar reservas sob camadas de sal no Golfo do México. “O Brasil acumulou conhecimento na Bacia de Santos, e isso pode acelerar projetos mexicanos”, resume Adriano Pires, consultor em energia. Gonzalo Monroy, da GMEC, observa que a experiência brasileira pode destravar potenciais campos mexicanos, mas frisa que o memorando é “não vinculativo” e não impõe aportes obrigatórios.

Questionamentos sobre viabilidade econômica

A ausência de obrigações financeiras preocupa o mercado. “Sem capital, a indústria do petróleo não avança”, alerta Monroy. No México, a contrarreforma energética reduziu mecanismos que garantiam retorno a investidores estrangeiros. Atualmente, apenas contratos de prestação de serviços ou joint ventures são permitidos, formatos que, segundo analistas, oferecem baixa rentabilidade à Petrobras.

Biocombustíveis recebem atenção secundária

O segundo termo do acordo trata de etanol, combustível dominado por produtores privados no Brasil. Para Pires, a estatal brasileira não é protagonista nesse mercado, embora possa colaborar em logística e mistura do biocombustível à gasolina mexicana. A pressão dos Estados Unidos, maiores exportadores de etanol de milho, adiciona um componente geopolítico à negociação.

Interferência política e histórico de parcerias

Consultores lembram que mudanças de governo podem redefinir prioridades. Elio Ohep, do site Energies.net, acredita que a aliança só prospera se a atual administração brasileira permanecer após as eleições. Pires recorda a parceria entre Petrobras e PDVSA que resultou na Refinaria Abreu e Lima, “a mais cara do mundo”, marcada por atrasos e investigações da Operação Lava Jato. “Memorandos de entendimento costumam ficar no papel”, conclui.

Análises recentes da Agência Internacional de Energia indicam que investimentos em águas profundas deverão crescer 10% em 2025, sinalizando oportunidades, mas reforçando a necessidade de segurança jurídica para atrair recursos.

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Crédito da imagem: Imago

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