Dívida dos EUA supera US$ 40 tri e pressiona mercado
Dívida dos EUA ultrapassou nesta quarta-feira (19) a marca de US$ 40 trilhões, consolidando um novo recorde apenas cinco meses após romper o patamar anterior de US$ 39 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro.
Gasto militar e programas sociais alimentam desequilíbrio
O avanço reflete anos de déficits sucessivos. Em 2025, os EUA desembolsaram cerca de US$ 954 bilhões em defesa — 37% de todo o gasto militar global, de acordo com o SIPRI. Para 2026, a projeção é superar US$ 1 trilhão. A guerra contra o Irã já consumiu US$ 37,5 bilhões até 21 de julho e o Pentágono solicitou ao Congresso mais US$ 67,1 bilhões.
Paralelamente, programas sociais seguem pesando no orçamento, enquanto cortes de impostos aprovados desde 2017 reduzem a arrecadação. O resultado é a necessidade constante de emissão de títulos para cobrir o rombo.
Juros de longo prazo atingem maior nível desde 2007
Na terça (18), o rendimento dos Treasuries de 30 anos saltou para 5,34%, o maior nível em 19 anos. O aumento sinaliza que investidores exigem retorno superior para continuar financiando Washington, elevando o custo do serviço da dívida.
Para aliviar a pressão, o Tesouro anunciou que dobrará o volume de recompras de papéis de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A recompra busca aumentar a liquidez do mercado e conter a alta dos rendimentos, que recuaram para 5,18% após o anúncio.
Dívida se aproxima do limite legal
O teto atual para o endividamento federal é de US$ 41,1 trilhões. Estimativa do Bipartisan Policy Center indica que esse valor pode ser alcançado entre o fim do inverno e meados do verão de 2027, reacendendo o debate no Congresso sobre uma possível elevação ou suspensão do limite.
Custo dos juros já supera o Medicare
Nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026, o gasto com juros tornou-se a segunda maior despesa do governo, atrás apenas da Previdência Social. As taxas dos Treasuries servem de referência para financiamentos imobiliários, crédito automotivo e empréstimos corporativos, o que pode encarecer o crédito para famílias e empresas.

Imagem: Internet
Trump promete cortes, mas efeito pode ser limitado
O presidente Donald Trump reafirma a intenção de enxugar a máquina pública, reduzir programas de agências federais e diminuir a ajuda externa. Entretanto, analistas observam que, enquanto os gastos com defesa e juros continuarem elevados, ajustes pontuais terão impacto restrito sobre o estoque da dívida.
De 2017 até hoje, o endividamento mais que dobrou; somente no segundo mandato de Trump, iniciado em janeiro de 2025, foram adicionados cerca de US$ 3,8 trilhões, conforme levantamento da Reuters.
Com a dívida em alta e rendimentos dos títulos pressionados, investidores monitoram os próximos passos do Tesouro e o posicionamento do Congresso. A capacidade de o governo honrar pagamentos e manter a confiança dos mercados será crucial para evitar um choque mais amplo.
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Crédito da imagem: REUTERS/Evelyn Hockstein
