sábado, outubro 10, 2026
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Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua

Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua

Fundador da Evergrande Hui Ka Yan foi sentenciado nesta quinta-feira (20/08) à prisão perpétua e perdeu todo o patrimônio pessoal, conforme decisão do Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen. O ex-bilionário admitiu em abril crimes como apropriação indevida de recursos e suborno corporativo, marcando um ponto crítico na crise que abalou o mercado imobiliário da China.

Multa bilionária às empresas do grupo

As antigas empresas de Hui, ligadas ao conglomerado Evergrande, também foram punidas: juntas, pagarão 15,82 bilhões de yuans (cerca de R$ 11 bilhões) por falsificação de registros contábeis e ocultação de dívidas. Para o tribunal, as práticas “perturbaram seriamente” o setor, gerando prejuízos expressivos para investidores, bancos e compradores de imóveis.

Ascensão meteórica e queda abrupta

Fundada em 1996, a Evergrande chegou a ser a maior incorporadora da China, valendo mais de US$ 50 bilhões. O crescimento agressivo foi financiado por alto endividamento, estratégia que ruiu após o governo chinês impor limites à alavancagem em 2020. Incapaz de honrar juros, a companhia passou a conceder descontos massivos para gerar caixa, mas entrou em colapso em 2021.

Investigações revelaram que parte dos financiamentos captados se destinou a novos projetos que ficaram inacabados, deixando centenas de empreendimentos parados. Em março de 2024, Hui já havia sido multado em US$ 6,5 milhões e proibido de atuar no mercado de capitais do país. A ação da Evergrande despencou 99 % antes de ser retirada da Bolsa de Hong Kong em agosto de 2025, segundo a BBC.

Efeitos sobre a economia chinesa

O colapso da Evergrande é apontado como um dos gatilhos da recessão no setor imobiliário, responsável por cerca de um terço do PIB chinês no auge. O enfraquecimento prolongado dessa indústria continua a pressionar o crescimento da segunda maior economia do mundo, enquanto outras construtoras de grande porte enfrentam dificuldades semelhantes.

Além de Hui, executivos de alto escalão, inclusive seus filhos Xu Zhijian e Xu Tenghe, receberam penas que vão de 22 meses a 18 anos. A Justiça chinesa espera que as condenações sirvam de alerta para práticas financeiras arriscadas no setor.

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Crédito da imagem: Shenzhen Intermediate People’s Court/WeChat via BBC

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