IA no trabalho: jornadas chegam a 90 horas em big techs
IA no trabalho vem sendo anunciada por executivos como caminho para semanas mais curtas, porém relatos de funcionários mostram o oposto: jornadas que ultrapassam 90 horas em empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Google.
Promessa de menos horas não saiu do papel
Há quatro anos, um diretor de engenharia do Google projetava que, até 2025, a inteligência artificial permitiria uma semana de quatro dias. Em 2024, a OpenAI chegou a incentivar formalmente outras companhias a testar esse modelo sem corte salarial. Internamente, porém, a própria OpenAI não implantou a mudança, segundo ex-funcionário ouvido pela BBC. Em vez disso, multiplicaram-se “reuniões de crise”, trabalho em fins de semana e avaliações duras que resultavam em demissões súbitas.
Sprints de até 90 horas
Profissionais que participam de projetos de IA em startups ou gigantes de tecnologia descrevem períodos de “sprint” que se estendem por semanas, acumulando mais de 90 horas de dedicação. Na OpenAI e na Anthropic, esses ciclos são frequentes e, de acordo com fontes, considerados exaustivos.
Realocação forçada na Meta
Na Meta, funcionários relatam ter sido transferidos sem opção de recusa para equipes de IA encarregadas de criar ferramentas internas e infraestruturas de modelos. Eles afirmam trabalhar até tarde da noite, inclusive sábados e domingos, sentindo-se “de plantão” mesmo fora do expediente. A empresa não comentou.
Efeito cascata em toda a equipe
Mesmo quem atua longe do núcleo de IA sente a pressão. O ex-engenheiro do Google, Amin Shali, pediu demissão após repetidas madrugadas corrigindo falhas causadas por sistemas inteligentes que ganhavam prioridade de recursos. Desde que saiu, relatou melhora no sono e na saúde.
Pesquisas confirmam aumento de carga
Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley acompanhou centenas de funcionários durante oito meses. Conclusão: os trabalhadores aceleraram o ritmo, assumiram mais tarefas e ampliaram o horário diário. Para Neil Thompson, pesquisador de inovação do MIT, mesmo que a IA gere economia de tempo, ela é rapidamente absorvida pela necessidade de configurar, monitorar e corrigir as próprias ferramentas.

Imagem: Internet
Cultura de “sempre ligado”
Especialistas indicam que, quando um processo é automatizado, o tempo livre tende a ser preenchido com novas metas, seja por exigência da empresa ou por pressão dos próprios empregados para provar valor. Assim, a promessa de saúde melhor e mais lazer segue distante da realidade vivida nas big techs.
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Crédito da imagem: BBC Brasil
