Carros chineses avançam no exterior, mas recuam na China
Carros chineses avançam no exterior, mas recuam na China
Carros chineses ganham espaço em mercados da Europa ao Brasil, enquanto as vendas no próprio país despencam pelo décimo mês consecutivo, revelam dados da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros.
Exportações disparam
Em julho, as remessas ao exterior saltaram 88%, alcançando 923 mil unidades. O movimento reflete a estratégia de gigantes como BYD, Geely e Chery, que encontram fora de casa o fôlego que falta internamente. Segundo Bill Russo, da consultoria Automobility, a internacionalização deixou de ser apenas ambição e tornou-se “necessidade estratégica” para absorver a produção excedente.
Mercado interno saturado
No mesmo mês, o volume vendido dentro da China encolheu 20%, para 1,47 milhão de carros. O presidente da entidade setorial, Cui Dongshu, aponta combustíveis caros e competição feroz como fatores de pressão. Entre janeiro e junho, a retração somou 2,3 milhões de veículos, patamar equivalente a todo o mercado japonês no período.
Brasil surge como destino-chave
O Brasil aparece como um dos principais destinos: de janeiro a julho, as importações de veículos chineses subiram 105,4%, somando mais de 180 mil unidades, conforme a Anfavea. Sete novas marcas, incluindo Dongfeng (DFM) e divisões da Chery, planejam iniciar operações locais até 2028.
Impacto global
A ofensiva chinesa pressiona montadoras tradicionais. A BYD, por exemplo, viu as vendas domésticas caírem 35% nos primeiros sete meses, mas compensou com alta de 79% no exterior. Essa dinâmica ameaça a liderança histórica do Japão na exportação de automóveis, como analisa a agência Reuters.

Imagem: Internet
Perspectivas
Analistas do HSBC preveem estabilização da demanda chinesa apenas no fim do trimestre, com a chegada de novos modelos. Uma recuperação em “V”, porém, segue improvável, reforçando a tendência de uso dos mercados externos como válvula de escape para a capacidade ociosa.
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Crédito da imagem: China Daily via Reuters
