China na OMC reforça disputa tarifária com EUA e Brasil
China na OMC reforça disputa tarifária com EUA e Brasil. A decisão de Pequim de aderir às consultas abertas pelo Brasil contra o “tarifaço” norte-americano foi classificada como “muito boa e legítima” pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Para ele, a entrada chinesa não é intromissão, mas confirma a relevância do caso e fortalece o sistema multilateral de solução de controvérsias.
Participação chinesa é vista como legítima
Müller destacou que a Organização Mundial do Comércio permite que terceiros interessados opinem em disputas bilaterais. “Quando outros países pedem para participar, mostram a importância do tema”, disse. Segundo o executivo, o envolvimento da China demonstra que a questão ultrapassa os interesses de Brasil e Estados Unidos e projeta o peso do mercado brasileiro no comércio internacional.
A importância do foro multilateral
O presidente da agência lembrou que, há décadas, Brasília e Washington defendem a Organização Mundial do Comércio como instância adequada para resolver conflitos comerciais. “A OMC é onde esses assuntos devem ser discutidos e, mais do que isso, solucionados”, afirmou.
Diversificação de mercados brasileiros
Paralelamente à disputa, a ApexBrasil lançou um plano de R$ 210 milhões para ajudar 5.300 empresas afetadas pelas sobretaxas, cobrindo 2 mil produtos. A estratégia não foca setores específicos: a meta é reduzir dependências e ampliar exportações para Europa, Índia, Canadá, México, África e Sudeste Asiático. Müller citou a Índia como exemplo de expansão: em uma década, o país passou da 40ª para a 4ª posição entre os principais destinos das vendas brasileiras.
Próximos passos na OMC
O pedido chinês foi protocolado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias. Cópias foram encaminhadas ao Brasil, aos EUA e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias. Para Müller, a iniciativa sinaliza que “o Brasil está longe de ser irrelevante” e reforça a necessidade de acelerar a diversificação comercial enquanto o litígio avança.

Imagem: Internet
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