Cortes de juros devem continuar em 2024, aponta Bradesco
Cortes de juros seguem no radar do Bradesco para 2024. O presidente do banco, Marcelo Noronha, declarou nesta terça-feira (11) que há “espaço para derrubar” a taxa básica, hoje em 14% ao ano, diante do recuo da inflação.
Redução de 0,25 p.p. na próxima reunião
De acordo com Noronha, os economistas da instituição projetam um corte adicional de 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom) já em setembro. “Vemos dados de desaceleração da economia brasileira e acreditamos que novas quedas possam ocorrer além dessa”, afirmou em entrevista ao Radar GloboNews.
Riscos no horizonte
Apesar do cenário otimista, o executivo apontou três fatores que podem travar o alívio monetário: a volatilidade típica de ano eleitoral, os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e possíveis choques climáticos do El Niño. “O mercado ainda é incerto, e o petróleo caro pode bater na inflação”, advertiu.
A preocupação de Noronha ecoa a ata do Copom, divulgada pelo Banco Central, que cita os mesmos riscos e sinaliza “reação firme” caso a pressão inflacionária se intensifique.
Endividamento das famílias
Noronha também reiterou que o endividamento das famílias continua elevado, mesmo após os avanços do programa Desenrola. Segundo ele, o crescimento sustentável exigirá PIB acima de 3% ao ano e disciplina fiscal que contenha a trajetória da dívida pública.

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Perspectiva de juros reais menores
O presidente do Bradesco reforçou que a Selic precisa permanecer real — ou seja, acima da inflação —, “mas não nessa magnitude”. Na avaliação do banco, uma convergência gradual da inflação aos níveis projetados abrirá espaço para cortes mais agressivos em 2024.
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Crédito da imagem: Reuters
