China entra em disputa do Brasil na OMC contra tarifa EUA
China solicitou nesta segunda-feira (10) à Organização Mundial do Comércio (OMC) a inclusão nas consultas abertas pelo Brasil contra as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, processo registrado sob o código WT/DS646.
Por que Pequim quer participar
No documento encaminhado ao órgão de Solução de Controvérsias da OMC, a delegação chinesa afirma ter “interesse comercial substancial”. Segundo Pequim, a investigação norte-americana sobre suposto trabalho forçado — base para parte das sobretaxas — resultou em medidas que também afetam bens de origem chinesa.
Entenda a disputa Brasil-EUA
O Brasil acionou a OMC em 30 de julho contra duas sobretaxas dos EUA: uma de 25%, justificada por Washington como resposta a “práticas desleais”, e outra de 12,5%, ligada à alegada falta de fiscalização brasileira sobre produtos produzidos com trabalho forçado. Para o Itamaraty, as medidas são unilaterais, discriminatórias e violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito multilateral.
Próximos passos no mecanismo de solução
As consultas constituem a primeira etapa formal do sistema de resolução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países tentam chegar a um acordo negociado; caso fracassem em até 60 dias, o Brasil poderá solicitar a abertura de um painel de especialistas. A entrada chinesa não representa uma queixa própria, mas dá a Pequim acesso total às discussões e reforça a pressão sobre Washington.
Impacto geopolítico
Analistas brasileiros avaliam que o processo tem forte caráter político: mesmo que não reverta as tarifas, sinaliza a preferência de Brasília por soluções multilaterais e evidencia que os efeitos das medidas atingem tanto o comércio bilateral Brasil-EUA quanto o fluxo entre Estados Unidos e China.

Imagem: Internet
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Crédito da imagem: Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance
