Apostas eleitorais nas midterms movimentam R$ 8 bi nos EUA
Mercado de previsão passa por teste crucial de credibilidade
Apostas eleitorais nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas midterms, já ultrapassam US$ 1,48 bilhão (cerca de R$ 8,13 bilhões) nas plataformas Kalshi e Polymarket, de acordo com a consultoria BetInt. O volume recorde coloca os mercados de previsão em destaque e sob intensa avaliação quanto à confiabilidade de suas probabilidades.
Na véspera da votação, os contratos negociados apontavam 94% de chance de os democratas manterem a maioria na Câmara dos Deputados e 75% de ampliarem o controle do Senado. Valores expressivos concentram-se em poucas corridas, como as disputas ao Senado no Texas, Michigan, Maine e Carolina do Sul. Só no Texas, o embate entre o democrata James Talarico e o republicano Ken Paxton já mobilizou mais de US$ 60 milhões.
Histórico de acertos e falhas aumenta a pressão
As plataformas ganharam atenção global em 2024, quando contrariaram pesquisas tradicionais e indicaram a vitória de Donald Trump na eleição presidencial. Mesmo assim, colecionam erros de grande repercussão, como nas primárias americanas e na eleição presidencial brasileira, na qual atribuíram apenas 20% de chance de vitória a Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro.
A confiabilidade dos mercados foi analisada por estudo da Universidade de Vanderbilt, publicado em 2025, que examinou 2.500 contratos ligados às eleições de 2024. Os dados mostraram que as probabilidades eram “bem calibradas” no geral, mas não necessariamente em disputas acirradas. Segundo o professor Joshua Clinton, resultados muito apertados continuam desafiando os mecanismos de precificação.
Riscos de manipulação e medidas de contenção
Além da exatidão estatística, Kalshi e Polymarket enfrentam questionamentos sobre possíveis manipulações. A organização Anti-Corruption Data Collective identificou que apostas relativamente pequenas podem alterar cotações, e há relatos de candidatos que investiram nos próprios pleitos. Em resposta, a Kalshi proibiu participação de políticos e ampliou mecanismos de vigilância; ambas as empresas afirmam corrigir preços rapidamente diante de apostas atípicas.
Especialistas como Yesha Yadav, da Faculdade de Direito da Universidade de Vanderbilt, veem a terça-feira de votação como um “teste real” para o setor. Para Sean Patrick Maloney, da Coalizão para Mercados de Previsão, esses instrumentos oferecem uma alternativa imparcial em meio a “fontes de notícias tendenciosas”, embora não sejam infalíveis. Matéria recente da Reuters destaca que eventos com 20% de probabilidade acontecem com frequência e não devem ser confundidos com certeza absoluta.

Imagem: que Trump está preocupado com as midter
Os resultados das urnas dirão se a percepção de eficiência desses mercados sairá fortalecida ou abalada. Caso a diferença entre as projeções atuais e os votos apurados seja grande, analistas preveem impactos diretos na reputação e no fluxo de capital dessas plataformas.
Quer saber mais sobre como grandes somas de dinheiro se movimentam em tempos de eleição? Visite nossa editoria de Finanças e acompanhe análises que fazem diferença nas suas decisões.
Crédito da imagem: REUTERS/Mike Segar

