China reduz compras agrícolas dos EUA ao menor nível
Compras agrícolas da China nos Estados Unidos, excluindo a soja, recuaram ao menor patamar em sete anos entre janeiro e setembro, somando US$ 7,2 bilhões (R$ 39,03 bilhões), segundo dados oficiais norte-americanos.
Carnes, milho e sorgo perdem espaço no mercado chinês
O declínio atinge uma ampla cesta de produtos, de carnes a grãos. Em 2021, a China importou US$ 5,6 bilhões em milho norte-americano, volume próximo de 20 milhões de toneladas. Agora, a corretora estatal COFCO Futures projeta apenas 900 mil toneladas do cereal dos EUA para a safra 2026/27, citando oferta doméstica abundante e preços pouco competitivos.
As exportações de sorgo também encolheram. Após um pico de 6,5 milhões de toneladas em 2021, avaliado em US$ 2,1 bilhões, os embarques norte-americanos desaceleraram, enquanto o Brasil, que conquistou acesso ao mercado chinês em setembro de 2025, já enviou 1,7 milhão de toneladas neste ano, com mais 1 milhão contratado, segundo a consultoria Marex.
Pressão sobre produtores dos EUA em ano eleitoral
O fraco desempenho nas vendas ocorre apesar do compromisso firmado em 2024, no qual Pequim prometeu adquirir ao menos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos EUA até 2026. A lentidão das compras aumenta a preocupação de agricultores norte-americanos, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato. “Há muitos silos cheios e vontade de ver esse comércio acontecer”, afirmou Tim Lust, diretor-executivo da National Sorghum Producers.
Na cadeia de proteínas, a carne bovina enfrenta preços elevados devido à redução de rebanhos nos EUA e barreiras regulatórias na China. Após renovação de licenças em maio, cerca de 50% da capacidade de abate norte-americana continua sem autorização para exportar, de acordo com a Federação de Exportação de Carnes dos EUA.
Soja segue meta, mas incerteza paira sobre demais commodities
A soja, negociada em acordo separado, deve cumprir a meta estabelecida, mantendo-se como principal item da pauta agrícola bilateral. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam, porém, que a China só atingirá o total de US$ 17 bilhões se mobilizar empresas estatais para compras acima das condições normais de mercado.

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Sem esse esforço, especialistas como Darin Friedrichs, da Sitonia Consulting, duvidam de uma recuperação rápida: “É difícil chegar a US$ 17 bilhões em itens que não sejam soja sem compras direcionadas”.
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