Diesel mais caro eleva custos do agro e do frete
Diesel mais caro eleva custos do agro e do frete
Diesel mais caro já impacta diretamente o agronegócio e o transporte de cargas no Brasil, mesmo após o governo federal prorrogar por 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro anunciado nesta terça-feira (27). A medida tenta frear o repasse da alta internacional do petróleo, cujo barril Brent oscilou entre US$ 100 e US$ 113,17 em outubro, bem acima do patamar de US$ 70 considerado limite pelo Planalto.
Preço nas bombas segue em escalada
Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log mostram que, na primeira quinzena de outubro, o litro do diesel comum subiu 6,67%, para R$ 7,20 em média, acumulando avanço de 15,2% no ano. No mesmo período, o diesel S-10 atingiu R$ 7,46, alta de 5,07%. O Norte registra os valores mais elevados: em Roraima, o diesel comum chega a R$ 8,19, enquanto no Acre o S-10 alcança R$ 8,30.
Dependência externa pressiona oferta
Embora seja grande produtor de petróleo, o Brasil importou 23,14% do diesel comercializado em agosto, segundo a Agência Nacional do Petróleo. Entre janeiro e agosto, a produção da Petrobras cresceu 18,5%, mas ainda insuficiente para suprir a demanda doméstica. Analistas destacam que a limitação de capacidade de refino, acentuada pela venda de refinarias nos últimos anos, mantém o país vulnerável às cotações externas e ao câmbio.
Efeitos no campo e no frete
No agronegócio, a disparada do diesel encarece máquinas agrícolas e transporte de grãos, elevando o valor do frete e, potencialmente, dos alimentos ao consumidor. Produtores do Rio Grande do Sul já relatam preocupação com possível falta de combustível às vésperas do plantio de verão. Especialistas alertam que, se o subsídio não for acompanhado por garantia de importação, pode haver risco de abastecimento.
Subsídio ajuda, mas é paliativo
Economistas ouvidos avaliam que a prorrogação do incentivo alivia momentaneamente o repasse de custos, mas consome recursos públicos e não resolve fragilidades estruturais, como a falta de refinarias modernas e a dependência das rodovias. Investimentos em ampliação de refino e em modais ferroviários são apontados como caminhos de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações do petróleo.

Imagem: litro de diesel
Quer acompanhar mais análises sobre preços de combustíveis e seus impactos na economia? Visite nossa seção de Finanças e continue informado.
Crédito da imagem: g1
