PIB do Chile recua e desemprego recorde atinge 9,6%
PIB do Chile registra a maior contração desde a pandemia enquanto o desemprego alcança 9,6%, o patamar mais elevado em mais de cinco anos. Os números, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas, expõem os primeiros efeitos do plano de austeridade adotado pelo presidente José Antonio Kast, empossado em março.
Queda consecutiva do crescimento
No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto caiu 0,5% em relação ao mesmo período de 2025; no segundo, recuou mais 0,2%. Investimentos produtivos – privados e públicos – ficaram estagnados, com forte retração da construção civil.
Desemprego e inflação pressionam famílias
O desemprego de 9,6%, maior desde 2021, reflete a menor demanda interna e o avanço moderado do consumo. A inflação anual subiu para 4,1% em julho, impulsionada pelo bencinazo – alta de cerca de 30% na gasolina e 40% no diesel após o governo decidir não subsidiar os combustíveis em meio à guerra no Irã.
A mineração perde fôlego
Responsável por parte crucial das exportações chilenas, a produção de cobre encolheu 17,4% em agosto, atingindo o menor nível em três décadas. Interrupções operacionais e condições climáticas adversas agravaram a queda. O Banco Central passou a projetar crescimento entre 0,25% e 0,75% para 2026; o Fundo Monetário Internacional revisou a estimativa para 0,6%.
Austeridade e reformas
Kast cortou 3% do orçamento de todos os ministérios, encerrou programas avaliados como ineficientes e reduziu investimentos diretos. Em outubro, sancionou a “megarreforma” que baixa o imposto corporativo de 27% para cerca de 23% e oferece estabilidade tributária de longo prazo. Economistas divergem entre um efeito de curto prazo recessivo e a possibilidade de recuperação já no primeiro trimestre de 2027.
Planos para estancar a crise
Para conter a perda de popularidade – hoje superior a 60% de desaprovação – o governo anunciou um pacote de criação de 100 mil empregos entre 2026 e 2027, estimado em US$ 1,3 trilhão. A proposta orçamentária para 2027, porém, prevê alta real de apenas 1,5% nos gastos públicos, sob críticas da oposição por reduzir programas sociais.

Imagem: Internet
Especialistas da Oxford Economics e da Bloomberg Intelligence veem chance de leve alívio nos preços globais de energia e retomada gradual da mineração no próximo ano, fatores que podem destravar investimentos e reverter parte das perdas do PIB.
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Crédito da imagem: AFP via Getty Images
