Azeite sob ameaça: calor extremo e incêndios na Europa
Azeite produzido no sul da Europa volta a enfrentar riscos de oferta devido à combinação de calor recorde, seca prolongada e incêndios florestais que avançam sobre olivais em países como Espanha e Grécia.
Produção espanhola pressiona preços globais
Líder mundial no setor, a Espanha já registrava restrições hídricas que reduziram a umidade do solo e derrubaram a colheita de cereais para cerca de 18,5 milhões de toneladas. Agora, segundo a associação agrícola ASAJA, milhares de hectares de olivais foram atingidos pelo fogo, elevando os custos de produção que tendem a ser repassados ao consumidor.
Dados recentes da Comissão Europeia indicam que, após um breve recuo desde abril, a produção de azeite no bloco deverá cair 5 % no ciclo 2025/26, com destaque para o recuo de 18 % na Grécia. A instabilidade na Espanha, principal formadora de preços internacionais, mantém o mercado frágil.
Grécia contabiliza perdas antes da colheita
Produtores gregos relatam destruição de oliveiras poucos meses antes da safra. Para a agricultora Anastasia Hatzoglou, “foi tanto esforço para ver tudo queimado”. Além do fogo, a fumaça e o déficit hídrico agravam a incidência de pragas, afetando o tamanho do fruto e a qualidade do azeite.
Levantamento do portal The Guardian mostra que vinhedos, pomares e hortaliças também foram danificados em várias regiões mediterrâneas, ampliando o impacto econômico do clima extremo.
Calor extremo torna-se recorrente
Estudos climáticos revelam que o número de dias de verão favoráveis a incêndios dobrou desde 1981. A onda de calor de 2026 atingiu mais de 40 ºC em países como França e Alemanha, provocando 1.300 mortes apenas na última semana de junho e pressionando sistemas agrícolas já vulneráveis.

Imagem: Internet
Diante desse cenário, especialistas alertam que novos aumentos no preço do azeite de oliva são prováveis caso eventos climáticos severos persistam até o início da próxima colheita.
Quer entender como fatores climáticos podem afetar seu bolso? Veja nossa análise completa na editoria de Finanças e acompanhe as atualizações.
Crédito da imagem: REUTERS/Louisa Gouliamaki
