Crise no BRB: plano de capitalização emperra após 180 dias
Crise no BRB ganha novo capítulo nesta quarta-feira (5), quando expira o prazo de 180 dias dado pelo Banco Central para que o Banco de Brasília execute o plano de capitalização apresentado em 6 de fevereiro. Seis meses depois, nenhuma das principais ações saiu do papel, mantendo o rombo no patrimônio da instituição.
Plano preventivo fica no papel
O chamado “plano preventivo de capital” permanece sob sigilo, mas duas medidas centrais foram divulgadas publicamente: um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo para negociar R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master. O empréstimo aguarda autorização dos maiores bancos do país, enquanto o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, segundo confirmaram fontes do g1.
Empréstimo de R$ 6,6 bi sem aval
O crédito emergencial foi costurado em audiência mediada pelo ministro do STF Luiz Fux. Apesar do aval judicial, o contrato não foi assinado. Como acionista controlador, o Governo do Distrito Federal assumiria a dívida, o que esbarra em regras da Lei de Responsabilidade Fiscal. Especialistas afirmam que contrair o empréstimo a menos de quatro meses da eleição pode ser contestado, mesmo com a dispensa de exigências prevista no acordo homologado pelo Supremo.
Riscos eleitorais e legais
Uma resolução do Senado proíbe novos financiamentos a prefeitos e governadores nos 120 dias finais do mandato. A Procuradoria-Geral do DF sustenta que a decisão do STF afasta a restrição, mas a possibilidade de questionamentos na Justiça mantém o processo travado. O impasse político adiciona pressão à governadora Celina Leão (PP), pré-candidata à reeleição.
Balanços e venda de ativos parados
Sem publicar balanços desde novembro de 2025, o BRB não detalha o tamanho atualizado do déficit. A instituição calcula que R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Banco Master sejam títulos sem lastro. O governo estima recuperar R$ 2,2 bilhões e depende do empréstimo para cobrir o restante. Com a saída da Quadra Capital, o banco também precisa de novo parceiro para negociar até R$ 15 bilhões em papéis considerados de difícil recuperação.

Imagem: Internet
Além de acionar 12 ex-gestores na Justiça e pedir o bloqueio de bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o BRB aprovou aumento de capital social. Ainda assim, sem o reforço imediato de caixa, o patrimônio segue desequilibrado, mantendo o banco sob supervisão intensa do Banco Central.
Enquanto o plano não avança, investidores e correntistas aguardam transparência sobre a real situação do banco. Para acompanhar outras análises sobre o mercado financeiro e soluções para crises corporativas, visite nossa editoria de Finanças e siga informado.
Crédito da imagem: Jornal Nacional/Reprodução
